Este artigo aborda os principais achados da literatura científica recente, relacionando diagnósticos de precisão, evolução tecnológica em procedimentos cirúrgicos e diretrizes para reabilitação funcional.
Epidemiologia e impacto das lesões do manguito rotador
As lesões do manguito rotador respondem por 30% a 70% das causas de dor e limitação funcional no ombro, sendo a afecção mais prevalente na prática ortopédica em adultos e idosos. Dados oficiais do Sistema Único de Saúde (DataSUS) indicam que mais de 50.000 procedimentos de reparo do manguito foram realizados no Brasil em uma década, evidenciando o impacto dessa condição na qualidade de vida.
O manguito rotador é o complexo miotendíneo formado por quatro músculos fundamentais: Supraespinhal, Infraespinhal, Redondo Menor e Subescapular. Juntos, eles mantêm a cabeça umeral centralizada na cavidade glenoide durante os movimentos de elevação e rotação do braço.
Fileira Simples vs. Fileira Dupla: O que diz a ciência?
Uma pesquisa clínica publicada na Revista Brasileira de Ortopedia (Rev. bras. ortop. 57(3), 2022) comparou 128 pacientes submetidos ao reparo artroscópico do manguito rotador divididos entre as técnicas de fileira simples (FS) e fileira dupla (FD).
A avaliação isocinética demonstrou que o grupo operado pela técnica de fileira dupla apresentou força de elevação anterior do ombro estatisticamente superior no pós-operatório tardio (5,90 kg no grupo FD vs. 4,72 kg no grupo FS; p = 0,017). Os escores funcionais universais (UCLA e Constant-Murley) mantiveram excelentes pontuações em ambas as abordagens.
Quando indicar cada técnica?
A análise detalhada pelo tamanho da lesão trouxe conclusões essenciais para a prática clínica:
• Lesões pequenas a médias (< 3 cm): ambas as técnicas apresentam taxas de cicatrização e recuperação de força equivalentes.
• Lesões grandes a extensas (≥ 3 cm): a fileira dupla demonstrou vantagem marcante, alcançando 6,39 kg de força de elevação (contra 3,98 kg na fileira simples) e pontuação Constant de 88 vs. 81 pontos.
A reconstrução em fileira dupla recria com maior fidelidade a área de pegada anatômica (footprint) do tendão no osso umeral, promovendo menor tensão nas suturas e maior taxa de cicatrização histológica.
Tratamento conservador e indicação cirúrgica criteriosa
Nem todos os casos de lesão do manguito necessitam de intervenção cirúrgica imediata. Pacientes com lesões parciais ou de baixa demanda física se beneficiam inicialmente de um protocolo estruturado de fisioterapia para reequilíbrio da cintura escapular e controle inflamatório.
A indicação de reparo cirúrgico é recomendada em casos de dor persistente sem resposta ao tratamento clínico, fraqueza progressiva em pacientes ativos ou em lesões agudas traumáticas completas.
Para aprofundar o tema, veja as páginas sobre síndrome do manguito rotador e reabilitação pós-cirurgia do ombro.
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